segunda-feira, 30 de maio de 2011

Do Pato à Docência

Escolhas, caminhos e desafios, a vida tem várias possibilidades, alguns perd
em e em meio às vicissitudes da vida preferem trilhar o caminho do comodismo, outras não, querem voar mais alto, querem alcançar o inalcançável, querem superar seus limites, só agindo dessa maneira eles se completam.
É difícil compreender o que leva algumas pessoas a trilhar caminhos que parecem ser inalcançáveis. E essa é a história de Sóstenes, criado em um lar estável onde sempre houve valorização da educação, a pesar de seus pais terem pouca instrução. Neste lar cresce três irmãos, uma menina e dois meninos, o caçula é o ator principal de nossa história.
O menino cresce, e logo passa a ter dificuldades na escola, por causa de seu temperamento intempestivo e de sua dificuldade de focar apenas um assunto, tudo para ele era novidade, não gostava das coisas chatas e repetitivas como as aulas de português, queria mais conversar com os colegas e brincar, o estudo ficaria para segundo ou terceiro plano deste menino, que aos nove anos ainda tinha dificuldade para ler. Ele conhece as letras isoladas, mas não consegue formar palavras. Contudo, orgulhoso como era, jamais pediu ajuda a ninguém. O que levaria alguém que não tem ligações familiares com professores e que tinha dificuldade com o aprendizado a trilhar o caminho da docência?
Sua mãe um dia é chamada na escola, e ele ouve a professora falar sobre ele, fica envergonhado e pensa que irá apanhar, mas sua mãe não briga com ele e nem o coloca de castigo. Então ele passa a querer mostrar para a mãe que pode, se sente desafiado, entra em seu quarto pega um livro abre em uma página aleatória e tenta ler, era um livro de alfabetização que continham letras e as respectivas palavras que se iniciavam com ela, ele abre na letra “p”, e começa sozinho a tentar ler, P+A = PA, T+O= TO, PA+TO= “Pato.” É pato! É pato! Ele exclamou. Naquele instante um mundo se revelou para Sóstenes, nem ele entende o que houve, as palavras daquele momento em diante passam a ter sentido. A partir daquele momento nasce mais um professor.
Ao descobrir a beleza das palavras o menino não para mais de estudar, passa a ser o primeiro da classe e a tirar boas notas, sua professora até se assusta com seu desenvolvimento tão rápido e é assim por todo o ensino fundamental. Decide fazer normal, se matricula no Instituto de Educação Moysés Henrique dos Santos, e isto só faz crescer nele o desejo de lecionar, não há nada que ele não possa ensinar, seus amigos, primos e vizinhos passam a ir para a sua casa para ele os ajudar nas matérias, e ele sempre os atende. Quer ser professor, e percebe que falta aos professores uma melhor comunicabilidade. Ele passa a ser o orgulho da família, continua sendo um dos melhores alunos de seu colégio, desenvolve o hábito de escrever (algo impensável em seu passado).
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Sóstenes se formando No Instituto de Educação Moysés Henrique dos Santos!

Ele se forma passa a dar aulas em projetos sociais, não satisfeito começa a estudar para o vestibular, e é aprovado, junto com seu irmão passam a ser dentro de sua família os primeiros a ingressar no ensino superior, passa a ser estudante de filosofia, procura nos filósofos fundamentos para ser um bom pensador sobre a educação. Na faculdade passa a integrar um grupo de pesquisa educacional sobre a cultura e o cotidiano escolar.
Segundo ele, é através da educação que meninos e meninas como ele poderão se tornar cidadãos e até aqueles que parecem não ter aptidão para aprender não devem ser jogados de lado, pois educação é um processo, é uma construção, é uma descoberta diária, é um desafio, que todos podem trilhar, inclusão é a palavra e talvez aquele P+A+T+O que visitou nosso entrevistado possa visitar outras pessoas independente da idade e de sua condição social, pois é sempre hora para aprender.
Uma experiência autodidática transformou a vida de Sóstenes, quando ele ainda menino descobriu a beleza da alfabetização, ele teve a certeza que o caminho da docência seria o melhor para ele trilhar. A antiga idéia que para ser docente é necessário ter um dom não passa de uma fábula, para ser um bom professor só é necessário ter desejo de ensinar e, se alegrar ao ver seus alunos aprenderem e se desenvolverem.

Josafá Alberto da Silva

sábado, 14 de maio de 2011

Trajetória Singular

O que é a história ou o que a história é?

As teorias psicológicas em voga, de forma unânime, dão conta da singularidade da personalidade. Em termos práticos, significa dizer que ninguém é igual a ninguém, mesmo passando por situações semelhantes, pois o modo como se dão a cognição e a aprendizagem, dependem de variáveis únicas para cada indivíduo. Assim por mais que, em termos gerais, possamos conhecer os efeitos de determinadas experiências, estas mesmas experiênias não significam a mesma coisa para diferentes indivíduos. Um exemplo simples disto é a busca incessante de novas significações para os fatos históricos já estabelecidos. Historiadores diferentes buscam diferentes vieses para explicar os mesmos acontecimentos, por vezes complementando outras teorias, é bem verdade, mas por outras vezes, propondo uma configuração pautada no que ele mesmo acredita ser o contexto real, devido a impressão pessoal que tem dos registros. Desta maneira, acredito ter feito uma leitura única da experiência de um indivíduo, na trajetória de sua formação docente, e ao oferecer a descrição de minha impressão dos fatos, baseado numa entrevista, posso ter atingido o que é a história de fato, ou seja, o que realmente aconteceu e está acontecendo, como posso ter significado a história, e, portanto estar apenas oferecendo aos meus leitores uma versão do que a história é.

Entre o sonho e a realização podemos construir uma ou mil histórias, pois " existem muito mais coisas entre o céu e a terra do que pensa a nossa vâ filosofia" (Shakespeare)

Aprendendo.

Formatura.

Ensinando









A profissão docente - um achado ou uma construção? 

Elen Franco nasceu no Rio de Janeiro, em 16 de Maio de 1970. Nascida em berço cristão evangélico, desde cedo mostrou aptidão para a música, tanto, que já aos treze anos estava matriculada no curso regular do consevatório MUDART, conveniado ao Conservatório Brasileiro de Música. Aos 16 anos seu desenvolvimento era tal, que passou a dar aulas em cursos livres de música, e até mesmo no próprio consevatório em que estudava, percebendo por isso um retorno financeiro que lhe permitiu conquistar certa independência. Mesmo tendo cursado o antigo Segundo Grau como técnico de secretariado, jamais pensou em deixar de ensinar música, razão pela qual não fez questão alguma de seguir na carreira administrativa.

Elen prosseguiu no estudo da música até se formar em Licenciatura Plena pela Universidade UNIRIO no ano de  2004. Em sua casa, uma irmã já havia seguido o mesmo caminho e já lecionava, desde quando Elen apenas estudava, não podemos afirmar se neste caso, ou em qualquer outro há indício de pregnancia social, ou seja, a impressão causada ao outro através do que se percebe, ao ponto de fazê-lo decidir ser semelhante, mas podemos questionar se sua aptidão, aliada ao esforço pessoal e às dermais contingências, seriam um caminho para um achado, um "insight", que significaria que a profissão docente pode ser uma alternativa nem sempre preferida por quem pode desempemhá-la, ou estas coisas descrevem uma construção consciente de uma carreira, o que envolveria uma predisposição à docência?

"As velas são enfunadas pelos ventos, mas o barco não se dirige somente a a seu favor, fazêmo-lo ir para onde quisermos sob essa força poderosa" (Shcinider)

Ensinado sem esquecer os objetivos.

Objetivos construídos por exemplos.

Objetivos solidificados pelo apoio familiar.



A profissão docente - Contingências que Convergem

O aporte familiar é uma constante histórica em muitos casos de realização profissional. Elen sempre contou com total apoio de seus familiares na profissão escolhida, nesse ponto vale à pena ressaltar suas próprias palavras a fim de fortalecer a importância da segurança e apoio trasnmitidos pela família: "-Minha família apóia minha profissão, e qualquer outra que escolhesse!".

Outro fator importante que converge neste sentido é a satisfação de poder saber para ensinar, e ver os resultados do que se ensinou. No caso de Elen, e como imaginamos, em muitos outros casos, a vivência da prática de ensino, mesmo antes da solenidade da formação, lhe garantiu uma visão privilegiada das possibilidades da profissão e uma conseqüente satisfação antecipada dos resultados.

Elen leciona tanto em instituições públicas quanto em particulares, onde há maior liberdade para desenvolvimento de métodos de trabalho, Elen pode fazer comparações sobre a valorização do profissional docente em ambos os ambientes, atestando que a maneira mais rígida dos ambientes públicos nem sempre proporciona a valorização do trabalho do professor, mas nem por isso diminui a percepção de seu papel em sala, tratando os alunos com urbanidade e simpatia, aos pais, quando precisa, com gentileza e objetividade, e se relacionando com a Diretoria com respeito e polidez, captando com isso a atenção e respeito recíprocos.
A paixão pelo trabalho, ou seja, gostar mesmo do que se faz, é algo que pode imprimir um novo significado ao desempenho profissional, muito mais do que apenas o retorno financeiro, Elen costuma valorizar os resultados e fica feliz quando algum de seus alunos está desenvolvendo o que aprendeu, em alguma denominação religiosa (regendo, tocando ou coordenando a área de música), ou continuando seus estudos numa Faculdade de Música, outros ainda que seguiram o exemplo da professora e se tornam docentes.

O volume de contingências pode variar de pessoa para pessoa, para algumas esse volume imprime um quadro de imagens motivadoras e desafios a serem vencidos, enquanto para outros um quadro de impotência e insolução, e o que provém de distintas impressões pode ser, em certo sentido, o que contitui o quadro educacional da nação, onde famílias desestruturadas podem não ser tão aportadoras, e onde o sucesso financeiro é frustrado por baixos salários e pela dificuldade de acesso aos cursos mais profícuos, e, ainda onde a constituição das relações educacionais promove o medo e a baixa-autoestima.

"A composição do que somos e de quem somos é algo que vai além de uma explanação formal de desenvolvimento, é algo da ordem do inenarrável, que pode, no entanto ser pontuado com pistas que deixamos pelo caminho." (Revualc)

Material didático de aprendizagem

Material didático de treino.

Material didático de ensino.









Profissão docente - caminhos e estruturas

"Alea jacta est", desde de que Júlio César proferiu esta frase às margens do Rubicão, temos vivido situações onde os dados, ou a sorte, já foram lançados e o que nos cabe é saber seus componentes e revelá-los a fim de que se produza alguma possível mudança. A formação docente atual ainda está repleta de práticas consideradas como pedra de toque, mas que não resistem a uma simples análise funcional, assim Elen pode falar-nos, do alto dos seus, considerados, 25 anos de experiência profissional, - imprimo aqui as minhas impressões a respeito do que foi dito -, que das teorias aprendidas na sala de aula: algumas são sabidamente  obsoletas, outras são impraticáveis para determinados contextos, enquanto outras precisam de uma reestruturação para serem funcionais, e apenas uma pequena parcela de pressupostos podem ser aplicados na íntegra.

Talvez a melhor forma de expressar isto, seja o fato de que enquanto respondia às perguntas da entrevista, Elen se preocupava com as exigências de prazo de lançamento de notas, conselho de classe iminente, e que em sua opinião seria, por toda a experiência que possui, totalmente dispensável nesse momento do ano escolar.



Conclusão

Se nos permitirmos avaliar criticamente nossas próprias carreiras e escolhas, constataremos diferenças tão gritantes que jamais imaginaríamos um mesmo destino possuir tantos caminhos de chegada. Já que para a nossa singularidade, ou seja, na nossa própria história, jamais existiu suporte familiar que nos permitisse desenvolver quaisquer aptidões, ou mesmo desenvolver aptidões que fossem aceitas, pela família, como tais. O caminho para a docência foi construído por experiências fragmentadas e nem sempre ideias, desde as aulas particulares no término de meu curso de Segundo Grau (Técnico em Eletrônica), quando eu contava com apenas15 anos de idade, passando pela classe de Escola Dominical de uma Igreja Evangélica, a experiência feliz de ter alfabatizado meus primeiros dois sobrinhos, até o estudo e a formação em Teologia, primeiro no Médio e depois Bacharelado, anos entremeados entre a aprendizagem e também o ensino, depois casamento e constitução de família, arrefecendo, em parte, o idealismo da prática de ensino com pouco retorno, logo substituida por uma ocupação mais rentável, até a entrada na Faculdade de Psicologia e posterior abertura da ramificação de Licenciatura.

De forma geral, ainda perduram os mesmos quetionamentos em minha prórpia experiência: será que as contingências construiram um caminho para a docência ou a docência foi uma descoberta tipo "insight"? Há qualquer coisa de convergente, com certeza, e que agora, na Licenciatura, quer se afirmar como algo concreto e não mais como apenas possibilidade, ou simples devaneio. Estas são as impressões que se me apresentam, e se algo pude tirar como lição dessa entrevista, foi a certeza de que haja o que houver, não são as coisas externas que me conferirão poder de decisão, mas minha convicção e estrutura, seja admitida, aprendida, ou, simplesmente, tolerada.

Por Clauver Moraes de Sousa.